A quem possa interessar

VAMOS LEMBRAR!
Hoje eu gostaria de lembrar a quem possa interessar que há mais ou menos 50 anos houve neste planeta uma revolução dos costumes, que mudou a forma de pensar da humanidade. Esta revolução não foi americana, brasileira, inglesa, européia, asiática ou de qualquer lugar ou povo. Foi uma revolução global e é chamada de Revolução Hippie ou Revolução c dos anos 60.
Ela trouxe para nossa época valores há muito esquecidos ou ignorados. Trouxe de volta a lembrança que nós estamos conectados à natureza, à espiritualidade e ao cosmos. Trouxe de volta a noção de que a aparência nada importa. O que realmente importa é o que levamos no nosso coração e na nossa memória. Com ela veio a contra-cultura, o experimentalismo, o poder da flor, novos sons, novas imagens, novas sensações e a liberação da terrível prisão sexual que nossos antepassados viviam. Veio também a noção de que o ser humano é livre para seguir o caminho que quiser. O resgate do que o homem sempre teve – seu livre arbítrio.
Com ela vieram a paz e o amor como bandeira maior, expressados no conhecido Símbolo da Paz acima. Muitos jovens lutaram, gritaram, morreram para que as guerras acabassem, para que os direitos humanos fossem respeitados, para que houvesse igualdade de direitos entre os sexos, para que houvesse liberdade de relacionamentos.
Com ela voltou à humanidade a noção de que nossa mente pode ser expandida nos dando acesso à realidade além da matéria. Talvez foi esse o ponto menos compreendido dela. E é justamente por não se saber na época como fazer isso, que só havia um caminho: experimentar. E é claro que para que se possa achar algo temos muitas vezes que andar por muitas estradas erradas até achar o caminho certo. Mas isso só prova o valor de quem caminhou. E caminhou muito e muito pra frente no pensamento, na expansão da mente, antes tolhida por arcaicos valores. E se caminhou muito pra frente na tolerância, na integração entre os povos, na forma de se ver a vida e no respeito a ela.
É por isso que me entristece muito o fato de ver que ainda hoje, 50 anos depois, ainda temos tantos e tantos seres humanos que, como diz a música, “ainda são os mesmos e vivem como seus pais”. Me entristece o fato de ver que nossos líderes ainda acham que pessoas precisam usar panos pendurados no pescoço para que “pareçam respeitáveis”. Como se o pano conferisse o poder especial da respeitabilidade. Quem dera o conferisse! Seria bem mais fácil. Mas infelizmente não é o caso. É triste ver como tantos anos após o pensamento da humanidade ter dado um salto de gigante, grande parte da humanidade ainda se apega a costumes tão idiotas como achar que existem seres humanos mais especiais que outros, ao ponto de alguns países pagarem a alguns poucos membros de seu país, fortunas incontáveis para que eles fiquem bonitinhos vivendo uma vida de luxo e esplendor só porque isso é uma “coisa legal que dá boas fofocas para os jornais” além de ser um “símbolo integrador da nação”. O que pode ser mais ridículo do que a história da Cinderela tornada realidade ? Até onde ainda pode chegar a exposição ao ridículo da nossa humanidade ? Até quando vamos dar valor a um líder, ou a outrem porque ele usa este ou aquele tipo de roupa, ou tem esta ou aquela aparência ? Se eu vou para uma encontro da ONU onde será debatido o destino dos povos, qual exatamente é a importância que tem a roupa que vou estar usando para o debate ? O debate é de propostas ou de moda ? Se estou em uma palestra de tecnologia, onde será apresentada uma nova solução para um problema e o palestrante quiser entrar lá e dar a palestra usando uma jaqueta de couro dizendo KISS ARMY atrás e uma maquiagem condizente, no que exatamente isso influenciaria em esta solução ser melhor ou pior ? Eu não consigo ver realmente qualquer relevância em terem que existir “aparências aceitáveis”.
Mas estamos melhorando, pois esta revolução veio para trazer “um novo tempo apesar dos perigos” e dos interesses. E um novo pensamento também. Onde visões diferentes do convencional tiveram e têm muito mais lugar. Onde a violência e atitude conservadora que sustenta o muro dos costumes (“The Wall”) deve ser superada e deve dar lugar ao diálogo e à tolerância. E esta revolução veio pra ficar, apesar do que muitos pensam e da estreiteza de visão em ver as conexões do que houve com o que somos hoje. Quem duvidar compare o que é a cultura livre de hoje (software, música, literatura, etc) com o pensamento hippie. Eu vejo inúmeras conexões entre ambos. E e este movimento de liberdade e cooperação na criação só tende a crescer. Está mais do que na hora de atualizarmos nossa forma de pensar para um pensamento moderno, mais vanguardista, menos fantasioso. Está na hora de dar o salto que já foi dado por tantos para que possamos realizar os sonhos maravilhosos que tiveram seu apogeu no verão de 69.
Para finalizar quero lembrar de uma música que ficou mais conhecida quando cantada pela inesquecível, maravilhosa, exemplo de mulher, chamada Joan Baez que tanto fez e faz pela causa da paz no mundo lembrando que
WE SHALL OVERCOME! We shall overcome, We shall overcome, We shall overcome, some day. Oh, deep in my heart, We’ll shall be all right, Oh, deep in my heart, We shall live in peace, Oh, deep in my heart, We are not afraid, Oh, deep in my heart, We shall overcome, Oh, deep in my heart, |
NÓS VAMOS SUPERAR! Nós vamos superar Nós vamos superar Nós vamos superar, algum dia Oh, bem fundo no coração, Nós ficaremos bem, Oh, bem fundo no coração, Nós viveremos em paz, Oh, bem fundo no coração, Nós não estamos com medo, Oh, bem fundo no coração, Nós vamos superar Oh, bem fundo no coração, |
Vídeo de Joan Baez cantando “We Shall Overcome” no Youtube
http://www.youtube.com/watch?v=RkNsEH1GD7Q